Flexibilização do trabalho melhora o equilíbrio entre vida e carreira? Estudo analisa mulheres na TI

A busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional tem sido um dos principais debates no mundo do trabalho, especialmente em setores marcados por alta demanda e intensificação das jornadas, como a Tecnologia da Informação (TI).

A dissertação de Nicole Cristina Rodrigues, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Administração da FURB, investigou justamente essa questão: a flexibilização do trabalho — como autonomia de horário, possibilidade de trabalho remoto e reorganização da jornada — contribui para o Work-Life Balance de mulheres que atuam na TI?

O perfil das mulheres pesquisadas

A maior parte das participantes do estudo trabalha sob regime CLT. Um dado relevante é que 77% das respondentes não têm filhos, fator que pode influenciar diretamente a dinâmica das responsabilidades domésticas e de cuidado.

Flexibilização ajuda, mas não resolve tudo

Os resultados mostram que a flexibilização do trabalho tem, sim, uma associação positiva com o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Autonomia de tempo e espaço contribuem para uma melhor organização da rotina.

No entanto, a pesquisa revela que a flexibilização, isoladamente, não é suficiente. O contexto organizacional, a cultura da empresa e as experiências individuais influenciam fortemente essa percepção.

O paradoxo da flexibilidade

O estudo também identificou o chamado “paradoxo da flexibilidade”: embora as mulheres se beneficiem de modelos flexíveis, muitas temem que isso prejudique sua progressão na carreira.

Esse receio está relacionado à ideia ainda predominante do “trabalhador ideal” — alguém com disponibilidade total, sem responsabilidades de cuidado — um modelo historicamente construído a partir de uma lógica masculina no ambiente corporativo.

A sobrecarga invisível

Mais da metade das mulheres participantes declarou ser a principal ou única responsável pelas atividades domésticas e de cuidado.

Para essas mulheres, o equilíbrio entre vida e trabalho é significativamente menor, mesmo com a flexibilização profissional. Já a divisão dessas responsabilidades com um(a) parceiro(a) ou a possibilidade de delegação impacta positivamente o Work-Life Balance.

Regime de contratação também importa

Outro resultado importante aponta que mulheres contratadas sob regime CLT apresentam níveis mais elevados de equilíbrio quando comparadas às profissionais que atuam como Pessoa Jurídica (PJ).

A previsibilidade financeira e o acesso a benefícios corporativos contribuem para maior segurança e estabilidade, refletindo na percepção de equilíbrio entre as esferas da vida.

Conclusão

A pesquisa demonstra que a flexibilização do trabalho é um avanço importante, mas não suficiente para garantir o equilíbrio entre vida pessoal e profissional das mulheres na TI.

As desigualdades estruturais e a divisão do trabalho doméstico continuam sendo fatores determinantes. O debate, portanto, precisa ultrapassar os limites da empresa e alcançar as dinâmicas sociais mais amplas que moldam a vida fora do ambiente corporativo.

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